Comida, Alimento ou Objeto? O olhar da Elpis sobre os Transtornos Alimentares
Dr. Rodrigo Guimarães discute como a Anorexia e a Bulimia transcendem a balança, servindo como tentativas singulares de gestão da angústia e da imagem corporal.
Quando falamos de transtornos alimentares, o senso comum costuma reduzir a questão à comida: "é só comer" ou "é só parar de comer demais". Essa simplificação ignora a complexidade do que está em jogo quando alguém desenvolve anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.
Na Clínica Elpis, sob a orientação do Dr. Rodrigo Guimarães — psiquiatra especializado em Transtornos Alimentares pelo IPQ-USP —, entendemos que a comida, nesses casos, deixa de ser alimento e se torna um objeto. Um objeto que o sujeito usa para tentar regular algo que escapa ao seu controle: a angústia, a imagem corporal, a relação com o próprio corpo e com o olhar do outro.
A anorexia, por exemplo, não é simplesmente "não querer comer". É uma tentativa radical de controle em um mundo que parece incontrolável. O corpo se torna o último território sobre o qual o sujeito sente que pode exercer domínio. Já a bulimia revela um ciclo de incorporação e expulsão que fala de uma relação ambivalente com o desejo: querer e não poder ter, ter e precisar se livrar.
A compulsão alimentar, por sua vez, funciona como um anestésico. Diante da dor emocional, o ato de comer em excesso oferece um alívio momentâneo — seguido, invariavelmente, de culpa e vergonha, que alimentam o ciclo.
Nossa abordagem na Elpis vai além das tabelas nutricionais e dos protocolos padronizados. Não negamos a importância da nutrição e do acompanhamento médico — pelo contrário, eles são fundamentais. Mas acreditamos que o tratamento precisa incluir a escuta do que está por trás do sintoma.
Que função a comida (ou sua recusa) cumpre na vida desse sujeito? Que angústia está sendo gerida através do corpo? Que história familiar e social contribuiu para essa relação com o alimento?
Essas perguntas guiam nosso trabalho clínico, que integra psiquiatria, psicanálise e terapias complementares em um dispositivo de cuidado que respeita a singularidade de cada paciente.
Se você ou alguém próximo está enfrentando um transtorno alimentar, saiba que existe um caminho de tratamento que não se resume a dietas e restrições. Um caminho que passa pela escuta, pelo acolhimento e pela reconstrução de uma relação mais livre com o corpo e com a comida.
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