Os excessos na contemporaneidade: um olhar clínico sobre os novos modos de sofrer
Em parceria com a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a Clínica Elpis realizou a quarta edição do curso dedicado a compreender como as transformações sociais e tecnológicas impactam a saúde mental.

Em 2025, a Clínica Elpis realizou, em parceria com a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, a quarta edição do curso "Os excessos na contemporaneidade", um espaço de formação e reflexão dedicado a compreender como as transformações sociais, culturais e tecnológicas do nosso tempo têm impactado a saúde mental.
Vivemos em uma época marcada pela aceleração, pela hiperconectividade e por uma multiplicidade de estímulos e demandas. Nesse cenário, o sofrimento psíquico muitas vezes se manifesta através de diferentes formas de excesso: excesso de consumo, excesso de informação, excesso de desempenho, excesso de estímulos e também excesso de vazio. Compreender essas manifestações exige um olhar clínico atento não apenas à dimensão biológica dos fenômenos, mas também às suas dimensões subjetivas, sociais e culturais.
A programação do curso reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir alguns dos principais temas que atravessam a clínica contemporânea.
Um dos módulos abordou os usos e abusos contemporâneos de psicodélicos, discutindo as fronteiras entre ciência, terapia e sociedade. O interesse crescente por essas substâncias tem reacendido debates importantes sobre seu potencial terapêutico, os contextos de uso e os desafios éticos e clínicos envolvidos em sua incorporação na prática em saúde mental.
Outro encontro foi dedicado ao uso da cannabis para fins medicinais, tema que tem ganhado espaço no campo da medicina e da psiquiatria. A discussão explorou tanto os avanços científicos quanto as questões regulatórias, clínicas e sociais que envolvem o uso terapêutico da cannabis.
A programação também trouxe reflexões sobre a função da droga para além da química, ampliando o olhar sobre o fenômeno das substâncias psicoativas. Mais do que seus efeitos farmacológicos, o uso de drogas frequentemente está ligado a funções subjetivas e simbólicas na vida dos indivíduos, o que exige uma abordagem clínica que considere a complexidade do sujeito e de seus contextos.
Outro tema central foi o papel dos dispositivos clínicos grupais, como grupos terapêuticos e oficinas. Essas estratégias ampliam as possibilidades de cuidado, promovendo espaços de troca, elaboração coletiva e construção de novos modos de relação consigo e com os outros.
A relação contemporânea com a alimentação também foi abordada no módulo "Comida: alimento ou objeto de compulsão?", que discutiu como questões emocionais, culturais e sociais atravessam o modo como nos relacionamos com a comida, frequentemente transformando-a em um lugar de regulação afetiva e sofrimento.
Por fim, o curso também refletiu sobre as adições às novas tecnologias e aos jogos, fenômenos cada vez mais presentes na clínica. Em um mundo mediado por telas e plataformas digitais, novas formas de dependência e compulsão têm surgido, exigindo que profissionais da saúde mental desenvolvam novas ferramentas de compreensão e intervenção.
Mais do que apresentar respostas prontas, o curso buscou abrir espaço para perguntas fundamentais sobre o sofrimento psíquico no mundo contemporâneo. Ao reunir diferentes perspectivas — da psiquiatria à psicanálise, da psicologia à saúde coletiva — a iniciativa reafirma o compromisso da Clínica Elpis com uma prática clínica que integra ciência, escuta e reflexão crítica sobre o nosso tempo.
A cada edição, o curso "Os excessos na contemporaneidade" se consolida como um espaço de diálogo entre clínica, pesquisa e sociedade, contribuindo para a formação de profissionais atentos às complexidades da saúde mental no século XXI.



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